sábado, 26 de dezembro de 2015

CARTA PARA QUEM AMOU EM 2015


Este não foi um ano fácil, é verdade. Talvez porque tenha sido a própria contradição: demorou, ao mesmo tempo em que voou. E, já que a felicidade é estar onde se está (nem pensando em como será o futuro, nem vivendo do que foi o passado), você pode se sentir orgulhoso. Amor é entrega e é preciso coragem para abrir mão do medo. Quem amou em 2015 pode terminar o ano feliz.
Mesmo aqueles que amaram por uma hora. O ano tem mais de 8 mil horas, mas se uma delas foi de amor intenso – mesmo cego, mesmo burro, mesmo calado – valeu a pena. Porque amor não depende de tempo para ser eterno: se durou 15 minutos ou uma vida é amor, é o mesmo amor.
Também já pode sorrir quem sofreu de amor. Porque isso significa que amou. E amar sempre vale repetir, é um presente. Sofrer de amor faz de nós mais humanos, menos exigentes com a vida e mais certos de que não importa o sofrimento que vai chegar depois: viver é sobre se permitir arriscar.

Termine o ano leve se você ainda ama. Se amou a mesma pessoa desde janeiro, você venceu a pior das armadilhas da rotina: fazer com que o amor se torne tão banal quanto o café da manhã ou o beijo de boa noite. Exercitar o amor é amar sem medidas.
Ter amado mais a si mesmo também é motivo de festa. O convívio mais difícil é o único que não podemos evitar. Relacionamentos terminam, amizades se diluem, paixões esfriam. Mas olhar no espelho é todo dia. Ser gentil consigo e se perdoar é todo dia. Se você conseguiu encarar os seus olhos e sentir verdade no que viu e tem a sensação de estar mais perto de você do que no último réveillon, comemore.
Celebre o amor que sentiu pelos seus amigos. Todas as vezes que se apaixonou pela personalidade de alguém que jamais imaginou gostar, as gargalhadas que dividiu com desconhecidos cúmplices, os carinhos que recebeu depois da saudade quase te afogar. Cada garfada de um prato feito com carinho, todo presente que ganhou sem esperar, as energias positivas que se permitiu mandar para alguém que não esperava. As conquistas suadas de todos os dias, a alegria que sentiu pela promoção de um colega, a sombra que traz um pouco de alívio no calor.
Comemore, sobretudo, se você entendeu que amor não é um relacionamento. É um sentimento que faz tão bem a quem emana quanto a quem recebe. Amor é um jeito de ver a vida que às vezes se confunde com o jeito que vemos alguém. Ainda bem.
Autora: Marina Melz

SOBRE O AMOR, ROSAS E ESPINHOS...


Amor que é amor dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor. 

O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou. 

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto.

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar. 

O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!" 

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos , socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha. 

Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. 

Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las. 

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. 

Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... 

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo. 
Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... 

Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira. 

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... 

Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos. 

Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos... ou não

Padre Fábio de Melo