domingo, 10 de setembro de 2017

A vida é um sério caso de recomeços

No momento em que um amor encontra o seu desfecho, outro surge. E nesse breve intervalo, tudo pode mudar. Permita-se recomeçar, você merece. A vida está aí para isso, para agarrarmos novas felicidades com tudo o que tivermos em mãos e corações.
Reinicie-se. Não dependa das circunstâncias para que seja feliz novamente. Se a vida é realmente um sopro, cabe a você escolher como respirar essa oportunidade. Todos temos os nossos pontos fracos, mas isso não implica em não tentarmos mudar. A cada manhã temos uma nova janela para deixarmos o sol entrar, para encontrarmos uma nova vista, substituindo aquela que já não nos preenche mais. É sobre sermos seletivos e responsáveis com os nossos sentimentos. Podemos. Devemos, melhor dizendo.
Se o amor sorriu novamente, por que não aproveitá-lo? Por que esperar o pior por causa de um passado que já não é mais presente? Recrie-se. Faça parte da sua própria construção para novos instantes. Acredite, toda e qualquer forma de você, ainda é amor. Repare-se mais, feche-se menos. Saiba identificar os seus instintos e promessas. Alegre-se nas falhas e tente de um jeito diferente. Você não desiste fácil, não?
Precisamos aceitar que a vida não é uma questão de transbordar um sentido claro e de respostas únicas. Pelo contrário, a vida é quase sempre um punhado de dúvidas e sentenças subjetivas. Mas isso não é ruim ou pesado demais para os nossos ombros. Talvez seja um novo amor surgindo, não sei. De certeza mesmo, fica sobre o fim não ser exatamente definitivo. É só um novo caminho nascendo diante de você.
Fonte: Conte outra vez.

sábado, 9 de setembro de 2017

UM TEXTO PRA QUANDO TUDO TIVER RUIM

As vezes a vida fica muito pesada. É conta atrasada, o emprego que a gente não acha, os problemas na família, o namorado que foi embora, a amiga que traiu a confiança, os trabalhos que não dão certo. Os nossos ombros doem, a cabeça queima, a coluna chega a envergar e parece que a gente não vai aguentar continuar andando, que a qualquer milésimo de segundo tudo vai desabar bem em cima de nós, que a gente vai cair e nunca mais conseguir levantar. As vezes fica tão difícil que a gente cai mesmo. E dói. Parece que estamos sozinhos nessa, que não tem pra quem pedir socorro, tudo fica escuro e a gente quer chorar e chorar e chorar e parece que esse furacão nunca mais vai passar. Mas ele passa e a gente descobre que sempre teve alguém ali, segurando a barra pra nós.

Talvez agora você esteja exatamente naquele momento em que nada mais faz sentido e ai você fica se perguntando o que foi que fez de errado pra merecer que nada desse certo, como se isso tudo fosse um castigo que Ele tivesse te mandado, e quando cê olha pra frente e tenta ser um pouco otimista, não consegue enxergar nenhuma solução, não consegue achar aquela luz no fim do túnel que todo mundo fala. E isso é meio desesperador, não é? Como se a gente tivesse perdido o comando de nossas próprias vidas. Dentro de você chove, é uma tempestade que parece não ter fim, e cê só quer ficar na cama até o mundo acabar. Você não consegue compreender essas voltas que a sua vida tá dando, nem o por quê de tudo ter virado de ponta cabeça. Passa noites em claro tentando achar uma razão, um motivo, qualquer indicio de algo que possa explicar, e tem medo de não conseguir suportar. Eu sei de tudo isso, porque eu também já estive assim.

Já me descabelei. Já achei que ia morrer e que talvez isso nem fosse tão ruim. Já fiquei engasgada, com um nó no meio da garganta sem saber o que fazer com ele. Já achei que não ia aguentar. Que era o fim. E que eu não tinha ninguém pra segurar a minha mão. Mas eu descobri que ali no meio daquele caos, tinha um pontinho de paz preu me apoiar e que ele chamava Deus. Mesmo quando todo mundo se afastou, Ele tava lá. Mesmo quando fazia um frio insuportável e eu queria brigar com todos, Ele continuava lá. Mesmo quando eu dizia não acreditar, não querer, não precisar, Ele ficou. A gente se revolta, xinga, tenta se virar contra, mas Ele insiste em não nos abandonar. E mesmo cansada, surrada, implorando pra jogar tudo pro alto, eu consegui achar a luz e sair do túnel, mas não foi sozinha, foi porque eu tive Ele comigo em todos os momentos. Então por mais que cê ache que tá sozinha, confia que não! Ele tá ai, do seu lado, e acredita que você vai vencer esse desafio, porque nem sempre é castigo, as vezes é uma provação, um teste, pra ver se você merece tudo que Ele tem pra te dar mesmo.

A gente descobre depois de duas ou três porradas na cara que Deus não te faz desviar de todas as pedras do seu caminho, Ele te ajuda a levantar quando cê tropeça nelas, porque na vida a gente tá pra cair mesmo, pra quebrar a cara, se machucar, e aprender. É pra evoluir, não pra conquistar o mundo. Podemos não entender, não aceitar, não querer, a gente só não pode desistir. Ele nunca dá um peso maior do que a nossa coluna aguenta, por isso se tá nas suas costas, você consegue carregar. Eu sei que dizer que vai passar não ajuda muito, que é fácil falar que vai ficar tudo bem e que cê ainda vai rir disso tudo, porque quando tá acontecendo a gente não consegue enxergar essa parte. Só que só o que eu posso fazer é isso: te afirmar que é só um desafio, é só um momento, são só uns dias ou semanas ou meses, mas que vai acabar, e que Ele sabe que cê pode vencer tudo isso!

Vai dar certo, mas pra isso você precisa ultrapassar essa fase ruim. Não desiste de você, não abre mão dos seus sonhos e do seu dia bonito, não esquece que depois de toda tempestade, o céu volta a brilhar. Agora as coisas estão meio bagunçadas, você quer fugir e se esconder, mas calma! Fica. Persiste. Não importa o quão cansada você pareça estar, eu sei que ainda dá pra continuar. Ele tá ai. Ele tá segurando na sua mão. Ele tá te pedindo pra não jogar tudo fora. Vai passar. Tudo isso. Vai passar! Levanta a cabeça, seca os olhos, endireita essa coluna e anda mais um pouco. Cê vai chegar onde cê tem que estar e então vai entender por que precisou passar por tudo isso.


Por: Gabriela Freitas.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

AGORA NÃO DÁ, MAS SE FOR PRA SER, A GENTE SE REENCONTRA LÁ NA FRENTE

Acabou. Foi melhor assim moreno, a gente sabe, já não dava mais. Tava na hora de cada um ir pra um lado, seguir seu caminho, seus sonhos, planos, mas eu não vou mentir: em mim ainda dói. Acho que todo fim é assim, não é!? Parece que a gente levou um soco na boca do estômago e não vai conseguir voltar a respirar nunca mais. Outro dia tocou a nossa música numa festa e eu chorei. Por isso estou te escrevendo. Fazia tempo que eu não lembrava de você, mas quando me viram e perguntaram “porque vocês não voltam, se ainda se amam?”, eu não soube o que responder. Como é que a gente explica que, as vezes, só o amor não basta? Pra gente não bastou.

No começo foi difícil de aceitar, como é que a minha história estava dando errado? Logo nós dois, que sempre fomos o casal perfeito... Eu achei que a gente ia casar, sabe? E sei que você também, mas de repente não fazia mais sentido nenhum estarmos juntos. Como se a gente tivesse se tornado dois estranhos. Você queria X, eu Y, você falava A, eu retrucava com B e foi ficando pesado continuar. Mas que a gente se amava… ah moreno, eu tenho certeza que sim! Pode ter faltado tudo, menos amor. E ai fomos nos afastando e afastando e afastando e quando percebemos já nem tinha porque insistir, continuar. Não teve raiva, não teve briga, discussão, bate boca, não teve mágoa, nem traição, revolta, só teve dor. Aquela dor inevitável que continua incomodando aqui dentro, sabe? Porque acabar é sempre punk, precisa ser muito forte pra colocar um ponto final, mas se despedir de um amor é foda! E ainda tá sendo.

​Então, quando querem entender porque a gente não volta, eu simplesmente dou de ombros e digo que agora não dá. Um dia, quem sabe? Mas agora não. Eu tenho projetos em que você não se encaixa e cê tem objetivos que não me servem. Juntos, só nos atrasaremos. Claro que eu fico me perguntando como é que vai ser se você encontrar outro alguém, se você se apaixonar, quiser casar e nunca mais voltar pra mim, mas isso também pode acontecer comigo, não pode? E aí paciência, era o que tinha de acontecer. Mas se for pra ser, se realmente for pra ser, o universo vai dar um jeito de fazer a gente se reencontrar lá na frente. Talvez demore uma vida, mas se for nós dois, no final eu sei que vai dar certo.

Gabriela Freitas 

É ASSIM QUE VOCÊ PERDE UMA MULHER FORTE…

Você perde uma mulher forte por não dizer “Olá” para ela. Ela pode ser diferente, única, intimidadora, fascinante, mas não há nada mais doloroso do que perder uma mulher forte por não ter a chance de se apresentar a ela.
Você perde uma mulher forte jogando duro para consegui-la. Uma mulher forte não tem tempo para perseguir outras pessoas, porque está perseguindo seus sonhos. Ela não está buscando perder tempo com alguém que não quer realmente perder seu tempo com ela. Ela não está sendo rude, não está sendo arrogante, está apenas protegendo seu coração. Ela já foi ferida outras vezes antes, por isso não a perca antes mesmo de tê-la.
Você perde uma mulher forte escondendo suas emoções. Ela não acha que você é forte porque engarrafa tudo. Ela acha que você é mais bonito quando não tem medo de se expor e ser humano. Ela não quer adivinhar como se sente, quer estar imersa em tudo o que tem para oferecer. Ela é muito profundamente conectada à vida, e precisa de alguém que também seja.
Você perde uma mulher forte tratando-a como uma mulher, e não como a força da natureza que ela é. Uma mulher forte sabe que é igual, poderosa, e que pode mover montanhas sem a ajuda de ninguém. Uma mulher forte não é necessariamente uma feminista dominadora, mas sabe o seu valor e suas capacidades, e não vai deixar ninguém tirar isso dela. Ela também sabe quando está sendo aproveitada por ser mulher.

Você perde uma mulher forte desprezando-a. Uma mulher forte trabalhou infinitamente para construir sua autoestima, sua carreira e seus relacionamentos. Ela não vai ficar por alguém que não vai ficar por ela.
Você perde uma mulher forte, desrespeitando-a. Ela sabe o que significa o silêncio e comentários de revés. Ela sabe respeitar a si mesma, e não tolerará ninguém que não possa.
Você perde uma mulher forte, implorando por ela. Ela não está procurando por alguém que implore por ela. Ela quer alguém que vai lutar, que tem uma determinação tão forte como a dela, que sabe exatamente como pedir perdão e como dá-lo.
Você perde uma mulher forte simplesmente deixando-a ir. Ela não é como outra mulher. Ela não virá rastejando de volta para você. Ela não fará drama. Se você espera que ela seja como outra mulher, vai se decepcionar.
Então, uma vez que você tiver uma mulher forte, não a deixe ir.
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Traduzido pela equipe de O Segredo  Fonte: Thought Catalog

domingo, 4 de junho de 2017

É PRECISO SE AFASTAR DE ALGUMAS PESSOAS PARA SER FELIZ

Perdi muito tempo até aqui, eu sei. Perdi tempo me preocupando com quem não merecia, confiando em quem eu não deveria. Eu errei, mas aprendi. Aprendi que algumas pessoas são tão egoístas que não conseguem se colocar no lugar do outro. Aprendi que nem todo mundo sabe o que é respeito e consideração. Aprendi a ir embora, porque se você precisa insistir muito em alguém é porque esta pessoa não reconhece o seu valor – e você não precisa de quem não te valoriza. E foi aí que eu aprendi que muitas vezes a questão é só não fazer mais questão e deixar pra lá qualquer sentimento que não é recíproco.
Algumas pessoas sugam a sua energia, não querem voar ao seu lado e tentam de puxar para baixo. É triste pensar que existem pessoas assim, mas é ingenuidade achar que todo mundo quer o seu bem. Infelizmente entre amores de verdade e amigos leais, sempre terá alguém tentando tirar a sua tranquilidade, e talvez você ainda supervalorize esta pessoa sem perceber o mal que ela te faz.
O problema é pensar que todos fariam por você o mesmo que você é capaz de fazer e que todo mundo irá se importar como você se importa. E o pior é que enquanto você se esforça em uma relação unilateral, você deixa de dar atenção para si e para quem quer estar junto a ti, desperdiçando seu tempo com aquilo que não merece nem (mais!) um minuto.
Não meça os outros com a sua medida, não se frustre tanto, entenda que algumas pessoas simplesmente não se importam, importe-se com quem se importa com você também. Não precisa pagar na mesma moeda, apenas aprenda a se preservar. Com o tempo a vida mostra quem é quem e você precisa aceitar e desapegar daquilo que não te faz bem. Deixe no passado a presença vazia, a injustiça, a ofensa, a falta de amor. Deixe que o outro engula o próprio veneno, nada disso pertence a você.
feliz
Eu sei, poucas coisas doem mais que a decepção, mas poucas coisas te ensinam tanto também! No fim do dia, cada coisa tem o peso que nós damos, por isso antes de sofrer pense se vale a pena, tem gente que simplesmente não merece a sua atenção. É preciso deixar ir aquilo que te faz mal e colocar de uma vez por todas um ponto final. Algumas vezes precisamos virar a página e seguir em frente para ter paz na alma e ouvir o que o nosso coração diz. E neste caminho, não tem outro jeito: você precisa se afastar de algumas pessoas para ser verdadeiramente feliz.
Por: Milene da Mata

sábado, 27 de maio de 2017

A dupla jornada de trabalho: mães esgotadas com Síndrome de Burnout

Certa vez li uma frase que vem a calhar: “a mãe perfeita não chora, não se desespera, não perde a sanidade e, acima de tudo, não existe”. No entanto, às vezes exigimos muito, porque queremos ser a mãe perfeita. Como resultado, acabamos exaustas, física e mentalmente, por isso não é surpresa constatar que estamos sofremos a síndrome de burnout.
 

O que é a Síndrome de Burnout?

Síndrome de Burnout é uma resposta do corpo quando ele foi é submetido a um estresse prolongado e intenso, tanto física quanto emocionalmente. Este é um problema comum para os profissionais que trabalham em contato direto com pessoas em situações de alto estresse, como médicos e enfermeiras.
Na verdade, esta síndrome foi descrita pela primeira vez no final dos anos 60 para se referir ao desgaste sofrido por policiais. Psicólogos, assistentes sociais e operadores de telemarketing são algumas das profissões mais expostas a este problema.
O principal problema é que a síndrome de burnout provoca uma série de sintomas que são facilmente confundidos com os de outras doenças. Na verdade, ele provoca sintomas psicossomáticos, como dores de cabeça recorrentes, insônia, fadiga severa e dificuldades gastrointestinais. Ele também é acompanhado de alguns sintomas emocionais, como ansiedade, depressão, irritabilidade e distanciamento afetivo.
Além disso, as pessoas com síndrome de burnout se sentem oprimidas e cansadas. Na verdade, muitas vezes elas experimentam sensações intensas de desamparo e desespero desde a hora em que acordam. Em última análise, se este problema não for tratado, vai acabar levando o doente a sofrer de anedonia; ou seja, você perde a capacidade de sentir prazer.

Por que as mães sofrem da Síndrome de Burnout?

Ser mãe é um trabalho em tempo integral, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A isto se acrescenta que muitas mulheres também trabalham e realizam a maior parte das tarefas domésticas. Em muitas ocasiões, assim que acabam de limpar a casa e colocar tudo em ordem, descobrem que já está tudo sujo e bagunçado novamente, o que cria um intenso sentimento de frustração e impotência que as faz questionar o sentido e o valor do que elas estão fazendo.
Este problema ganhou ainda mais força nos últimos tempos, como muitas mulheres também sentem a necessidade de ser mães perfeitas, acompanhar os seus filhos nas atividades extracurriculares e, com esse esforço extra, evitar todos os tipos de problemas. Este estilo de parentalidade, chamado de hiperpaternidade, acelera ainda mais o processo de exaustão e aumenta o estresse. Na verdade, tudo leva a crer que as mães superprotetoras correm maior risco de desenvolver distúrbios emocionais, como depressão.
Além disso, a síndrome de burnout se alimenta da sensação de falta de controle compartilhada por muitas mães. Elas gostariam de proteger seus filhos, mas se percebem muitas vezes inseridas em situações de impotência. Essa sensação de incerteza e imprevisibilidade acaba sendo muito desgastante a partir do ponto de vista emocional.

Como evitar este problema?

– Aprenda a priorizar as tarefas realmente importantes. Se no final do dia não tiver feito tudo o que você tinha planejado em sua agenda, não se preocupe. Não há necessidade de ser uma super mãe.
– Reserve algumas horas apenas para você. Com crianças, é difícil encontrar tempo para você, mas se não se esforçar, será sempre relegada à segundo plano em sua própria vida. Portanto, não se esqueça de reservar algumas horas para relaxar. Você pode se dedicar ao que você mais deseja, como assistir a um bom filme, ler, comer com os amigos ou tomar um banho relaxante.
– Peça ajuda. Não há nada errado em se apoiar nas pessoas mais próximas, como seu parceiro, pais ou amigos. Na verdade, se você espalhar as tarefas domésticas mais equitativamente terá mais tempo para si mesma, você vai estar mais relaxada e vai melhorar o relacionamento com sua família. Você também pode contratar uma babá ou uma empregada para lhe dar uma mão.
– Você precisa adotar um estilo de vida mais saudável. O estresse não é apenas um problema emocional, mas também é determinado pelo seu estilo de vida. Uma dieta saudável, prática de atividade física e o aprendizado de técnicas de relaxamento irá ajudá-la a evitar o stress.
Texto originalmente publicado no site Etapa Infantil, traduzido e adaptado pela equipe da Revista Pazes.

domingo, 21 de maio de 2017

Resiliência: levantar-se toda vez que a vida ferra com tudo

“Não poderemos agir e escolher corretamente o tempo todo, mas poder contar com amor verdadeiro nos apoiando fará toda a diferença nos momentos em que a vida não dá certo. É assim que a gente cresce e é assim que a gente vira gente de verdade.”

Constantemente, passamos por situações que esgotam as nossas forças e minimizam os nossos ânimos. Por mais que tentemos escapar, inevitavelmente nos decepcionaremos com as pessoas, seremos rejeitados por alguma paixão, reprovaremos em provas e concursos, seremos preteridos em vagas de empregos ou em promoções em nosso trabalho, choraremos o luto de pessoas especiais, dentre tantos outros reveses pelo caminho.
Estamos sempre preparados para receber o melhor em nossas vidas, ao passo que fugimos à necessidade de estarmos prontos a enfrentar o avassalamento que certos momentos trarão – e eles virão. Parece-nos ser muito natural expormos os sucessos, as conquistas, tudo aquilo que deu certo em nosso caminho, porém, dividirmos nossos equívocos e fracassos chega a ser quase impossível, uma vez que negar algo parece afastar aquilo de nós. Doce ilusão.
Negar nossos fracassos não os impedirá de baterem à nossa porta, obrigando-nos a encarar nossas fraquezas, a refletir sobre o que viemos fazendo de nossas vidas, para que possamos repensar e operar mudanças que nos tornem habilitados a deixar de cometer os mesmos erros. É inevitável despendermos tempo para voltarmos nossas atenções ao nosso pior, digerindo aquilo tudo e renascendo para novas tentativas, com a mente reoxigenada.
O tempo nos ensina a confiar nele e nas verdades que ele sempre nos traz, bem como na infalibilidade da colheita a que todos estaremos sujeitos, de acordo com a qualidade das semeaduras que deixamos pelos caminhos. É preciso que estejamos conscientes de que muito do que sofremos é resultado tão somente de nossas ações, ou seja, agir com vistas às futuras consequências do que fazemos hoje nos poupará de amanhãs dificultosos.
Após as devastações emocionais que passam por nossas vidas, derrubando tudo o que há pela frente, minando nossos sentidos e roubando nosso fôlego, será o momento de decisão, de retomada, de reerguimento. A dor, a revolta e o alquebramento que fatalmente nos invadirão serão úteis, para que esgotemos nossa tristeza, sorvendo-a até que se esvazie e sejamos preenchidos pela construção paulatina de certezas cheias de esperança, com a ajuda dos amigos, da família, do parceiro, de quem, indubitavelmente, estará sempre conosco, junto, disposto, com acolhimento sincero e sorriso verdadeiro.
Trata-se de um processo lento, que requer paciência e resignação, fé e confiança em nós mesmos, em nossa capacidade de nos reinventarmos, de solucionarmos o que parecia impossível, de enxergar refletidamente o mundo à nossa volta, aprendendo e reaprendendo a cada dia. Não poderemos agir e escolher corretamente o tempo todo, mas poder contar com amor verdadeiro nos apoiando fará toda a diferença nos momentos em que a vida não dá certo. É assim que a gente cresce e é assim que a gente vira gente de verdade.
 Por Marcel Camargo

Ninguém fica onde não existe reciprocidade

Uma das maiores razões do sofrimento humano é a idéia de que possuímos certas coisas e determinadas pessoas, como se fossem nossas. Muitos de nós achamos que o emprego, o cargo, a mesa de trabalho e seus objetos, o parceiro, o amigo são posses, são nossos por direito e ninguém há de mudar isso. Ledo engano.
O que temos de nosso, na verdade, é tão somente aquilo que temos dentro de nós, aquilo que nasce conosco, nosso corpo, nossa mente, nossos sentimentos, vá lá alguns objetos que compramos, nossa vida tão somente. Tudo o mais faz parte do mundo, dos momentos, de segmentos de nossa jornada e, por isso, não têm obrigação de permanecer conosco.
Tudo e todos que estão junto de nós ali permanecerão enquanto for propício, enquanto estiver servindo a interesses, sejam eles de que natureza forem, mesmo que por amor. Podemos ser demitidos a qualquer hora, podemos deixar de amar e deixar de ser amados a qualquer tempo, poderemos ter nossos pertences roubados, nosso cargo exonerado, nossa posição questionada. Como dizem, nada é, tudo está.
Na verdade, ninguém rouba o nosso parceiro, ninguém tira o nosso emprego, ninguém destrói as nossas amizades, simplesmente porque certas coisas e determinadas pessoas a gente não perde, pois, na verdade, nunca foram nossas de fato. O que sai de nossas vidas apenas estava conosco, mas não era algo aqui de dentro, não nos pertencia, ou nem mesmo nos esforçávamos por mantê-lo. Sim, muitas de nossas perdas são consequência direta da maneira como nos comportávamos em relação a elas.
Muitas vezes, nosso amor vai embora porque não havia mais nada de bom aqui conosco e algo o interessou em outra morada. Nossos amigos se afastam porque a vida em si distancia as pessoas que não se esforçam por manter laços. Perdemos o emprego porque não correspondemos ao que esperavam de nós. Pode ser nossa culpa, pode nem ser, o que importa é entender que não temos controle ou poder algum sobre o que está fora de nós. Ou regamos, cuidamos e nos importamos, ou não manteremos junto aquilo que for mais precioso e quem faz a diferença em nossas vidas, porque ninguém fica onde não existe reciprocidade.
Cabe-nos, portanto, sermos o melhor que pudermos, dar o que temos de bom, compartilhar o que for mais verdadeiro, onde e com quem estivermos, sem achar que somos donos do que nos rodeia. Assim, nos momentos em que perdermos o que parecia certo, teremos consciência de que fizemos o que tinha de ser feito. Ao final, o que e quem ainda permanecer em nossas vidas será tudo aquilo de necessitamos para que possamos ser verdadeiramente felizes.

"Ou regamos, cuidamos e nos importamos, ou não manteremos junto aquilo que for mais precioso e quem faz a diferença em nossas vidas, porque ninguém fica onde não existe reciprocidade."

A vida é um eterno quarto de bagunças. Sempre haverá algo que a gente guarda, quando já deveria ter jogado fora!

Quanto mais espaços vazios houver, mais coisas inúteis a gente vai juntar! Isso vale tanto para casas, quanto para quartos, mentes e corações.
Basta parar um instante e trazer à lembrança exemplos de casas que têm “aquele quartinho que não é de ninguém”. Espere alguns dias, e poderá observar que o lugar começará rapidamente a ganhar ares de acumulação.
Vem um e larga lá aquele casaco de neve, que ninguém vai usar tão cedo, porque aqui não neva. E, para falar a verdade, viajar para lugares nevados anda meio fora das possibilidades orçamentárias. Vem outro e deposita num cantinho, um violão ou um teclado que comprou por impulso, acreditando que arranjaria tempo para aprender a tocar um instrumento. Vem mais um outro e abandona em outro lugarzinho aquela coleção de revistas, ou figurinhas, ou canecas, ou sabe-se lá que outro tipo de cacarecos que, em algum momento da vida fazia todo sentido. Mas agora não faz mais.
Mais algumas semanas e o lugar terá se transformado num depósito de coisas aleatórias e esquecidas. Mais alguns meses e a imagem será a de um caos, digno daqueles programas de TV a cabo, que mostram o triste destino de pessoas que não conseguem se desapegar de nenhum objeto que comprou, ganhou ou adquiriu sei lá de que jeito.
Pois com a vida em si, não é nada diferente. Mentes vazias são lugares absolutamente tentadores para ideias inúteis. Elas vão chegando de mansinho, ficam ali bem quietinhas num cantinho; com o tempo, penduram uma rede nas paredes da memória e vão se acomodando.
E, de repente, aproveitando-se de nossa distração, fazem morada dentro da gente, com direito a capacho na porta e tranca pelo lado de dentro. Instalam-se.
Tomam conta. Vão ocupando nossa cabecinha oca com pensamentos paralisantes e parasitas, que se alimentam vigorosamente de nossa criatividade, perseverança, esperança e amor próprio.
E, depois dessa apropriação indébita meu amigo, haja força de vontade e coragem para mover uma eficiente e definitiva ação de despejo.
E se mentes vazias são um perigo… Corações vazios são muito mais! Corações vazios são uma espécie de Resort com sistema “all Inclusive” para sentimentos corrosivos como a mágoa, a inveja, o ciúme e a ambição sem medida. Para cada uma dessas pragas emocionais são estendidos tapetes vermelhos, oferecidos drinks exóticos de boas-vindas e preparadas camas irresistíveis onde cada uma delas deita, rola e fica.
A vida é um eterno quarto de bagunças. Sempre haverá algo que a gente guarda, quando já deveria ter jogado fora. E é por isso que, vez em quando, não custa nada fazer uma visitinha àqueles cômodos mal iluminados e sombrios. Abrir janelas e cortinas. Deixar que o cheiro de coisa guardada seja levado com o vento. E permitir que novos ares sejam bem-vindos. Porque tudo aquilo que deixarmos ficar, nos definirá diante de nós mesmos e dos outros. E uma vida pendurada de sentimentos gastos e cobertos de poeira velha é uma vida pequena demais.

A traição é a mais covarde das escolhas

Supondo que a pessoa seja acometida por um arrependimento monumental, que amargue um tremendo remorso e se afogue num mar de culpa… aquele que traiu jamais terá a dimensão exata do buraco gigante que cavou no peito do outro.
Ser traído é ter a confiança roubada pelas costas. É ter a inteligência subestimada e a auto estima picada em minúsculos pedacinhos.
A dor da traição é extremamente complexa, porque quebra no interior daquele que foi traído os alicerces sobre o qual fora construída a relação.
Ser enganado altera a capacidade de interpretar os sentimentos. Ficamos frágeis, confusos, temos dificuldades em discernir o que é real, do que é ilusão destruída.
Não raras vezes, aquele que é traído acaba buscando em seu comportamento, em suas atitudes a razão para tudo o que aconteceu; torna-se suspeito do mal feito alheio.
E dói. Dói por inúmeras razões. Dói porque é desnecessário, dói porque diminui a importância da história partilhada, dói porque não há nada que justifique a quebra de confiança.
A traição é a mais covarde das escolhas. É a opção pelo caminho mais fácil. É arrastar para dentro de um buraco o que deveria ser honrado e ter valor.

Perdoar a traição é dessas coisas que foge à nossa capacidade racional. E quando acaba acontecendo, muitas vezes é porque existe nessa atitude uma esperança em fazer cessar o sofrimento.
Perdoa-se numa tentativa de retroagir, como se fosse possível apagar os danos. Quase sempre não é. E o tempo acaba revelando fissuras no relacionamento, trincas por onde emergem ressentimentos, mágoas e culpas.
Por mais que pareça triste, no fim das contas o melhor que se pode fazer é cortar os laços mesmo. Deixar que a ferida cicatrize em paz. Seguir em frente e deixar que o outro descubra por si mesmo que havia outra escolha, ele só não foi capaz de fazê-la.
E depois disso, de ter sido capaz de desenhar no fim dessa história um definitivo ponto final, projetar para si mesmo um modelo mais saudável de relação, na qual o compromisso seja partilhado, assumido e respeitado por todos os envolvidos. Porque errar na escolha do parceiro uma vez é humano, persistir na escolha errada é falta de amor próprio mesmo.

O amor se constrói aos poucos e morre aos poucos também.


Você pode até se apaixonar por alguém do dia para noite, mas amar alguém é algo que se constrói. Vamos amando aos poucos o jeito como o outro se ajeita no sofá para ver aquele filme, o cafuné que faz em nós com tanto amor, a sua paixão por comida e o jeito que leva e vê a vida.
É aos poucos que aprendemos a amar e a tolerar aqueles defeitinhos chatos que nos irritam e, ao mesmo tempo, fazem com que a gente veja que podemos amar aquilo achávamos não ser possível. Que podemos rir daquilo que aparentemente nos irrita.
Aos poucos, vamos amando o jeito que aquele alguém mexe no cabelo e quando nos pede para ficar mais um pouco. Mas, assim como o amor se constrói aos poucos, ele não acaba do dia para a noite.
O amor vai morrendo quando, ao invés de interromper uma briga com um beijo, o outro diz palavras que prolongam ainda mais uma discussão qualquer. O amor morre aos poucos, quando o orgulho domina mais que o perdão. Quando as desculpas ficam apenas para os corretos e sempre existe um culpado.
O amor morre aos poucos, quando um insiste em fazer dar certo e o outro persiste em dar errado. E, assim, com a indiferença, os gestos que machucam e as palavras que ferem, o amor vai perdendo a capacidade de lutar, vai deixando de ser amor e vai virando dor. Aquela dor que machuca e nos faz sofrer.
É quando a saudade vira apenas lembranças e deixa de ser reencontro. Quando os erros do outro viram motivos para termos razão. O amor morre aos poucos, quando o outro não valoriza, não elogia, não se importa e, principalmente, quando deixamos de ser nós mesmos e nos escondemos em um riso disfarçado de “tudo bem”, quando, na verdade, está tudo de mal a pior.
O amor morre aos poucos, quando perdemos a parceria de quem amamos, assim como a generosidade e a paciência. Quando o outro desiste, enquanto você luta. E, então, o que era amor vira desamor e vai aos poucos perdendo o seu colorido, vai aos poucos deixando de ser bonito, até que um dia não suportamos mais o pouco que recebemos e o relacionamento chega ao fim, não por falta de amor ou falta de tentar, mas pelo cansaço da insistência, de tanto avisar e o outro ignorar, como quem acha que, uma vez brotado a semente do amor, jamais precisaremos regá-lo novamente.
E então a gente cansa de insistir, de tentar fazer dar certo, cansa da mesmice e da zona de conforto. A gente percebe que aquilo está mais para comodismo do que para amor e, no fundo, a gente deseja ser cuidado e não apenas cuidar; a gente quer abraços, beijos e elogios e, mesmo sabendo que o outro nos ama, queremos ouvir o eu te amo. E, quando tudo isso fica apenas no começo da história, o amor vai deixando de ser amor e vira ferida, vira mágoa e discussão, e o que era para ser paz começa a ser tempestade, daquelas que parecem não passar.
Mas o amor não vira desamor em 24 horas ou em uma briga; o amor vai morrendo aos poucos e, mesmo a gente tentando reacender, só é possível pegar fogo se o outro tentar também, caso contrário, ela – a chama – apaga, assim como o amor também morre.