segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A vergonha dos antidepressivos. Por Juliana Doretto

  (Foto: SXC)


Nem todos os que tomam esses remédios querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida.

Todos os dias, de manhã, depois do café, eu procuro uma cartela prateada que fica em cima de meu criado-mudo. Religiosamente, tomo um comprimido. É um antidepressivo. Não tenho vergonha. Estou em tratamento, acompanhada por médico e psicólogo. Não sou mais fraca do que ninguém por ter ingerir a pílula. Não quero tomá-lo para sempre, mas não quero abandoná-lo apenas para provar a alguém que dou conta de tudo. Porque eu não dou. 
Em dois meses, meu (ex-)marido me pediu o divórcio de maneira repentina e perdi meu avô, que morreu em casa, após ter ficado gravemente doente durante meses. Dois acontecimentos muito intensos, em período curto de tempo. Procurei ajuda na terapia. Cheguei a ter sessões duas vezes por semana. Um dia, achando que já estava melhor, quis ficar sozinha em casa. Chorei por horas seguidas, passando a noite em claro. Era um desespero sem fim. Dificuldades para respirar. Mãos tremendo. De manhã, me arrumei e fui sozinha ao pronto-socorro. Não sei como cheguei lá. Precisava me acalmar, nem que fosse de modo artificial, com a ajuda de remédios. Nesse dia, percebi, com o auxílio também da terapia, que necessitava mais do que conversa. 
Eu estava doente. Mentalmente doente. Houve um desequilíbrio aterrorizador, que me tirou do prumo, que provocou uma queda abissal. Além da crise que me levou ao pronto-socorro, emagrecia continuamente e não tinha poder nenhum de concentração. Escolhi o psiquiatra pelo currículo: procurei alguém com boa formação acadêmica e experiência clínica, mas também pesquisador. Fui orientada a tomar um antidepressivo, com dosagem mínima, e a reforçar os exercícios físicos, além de continuar com a terapia. Faço tudo isso, há quase um ano. 
Mas a pílula não me fez parar de sofrer. Chorei muito pela tristeza das perdas, pelo desprezo que senti, pelas mudanças grandes que me assolaram. Passei por períodos de angústia, nervosismo, pensamentos confusos. Houve dias em que não tive vontade de sair de casa, e não saí. Ainda passo por tudo isso, mas em “dosagens” cada vez menores. Voltei a ter mais controle sobre minha vida: tenho rotina de trabalho novamente, pude me mudar para Lisboa (por conta do doutorado), consigo ficar sozinha, lido melhor com a tristeza que ainda vem. 
Há pessoas que procuram antidepressivos para tentar evitar a dor, e há médicos que indicam esses medicamentos de modo desnecessário? Certamente, pelo que lemos na imprensa. Mas nem todos os que tomam esses remédios estão fugindo do sofrimento. Eles querem escapar da sensação da falta de ar, do coração acelerado, do choro que não passa nunca, do medo sem motivo que vira companheiro de vida. São pessoas que não querem viver sem sofrimento: o que não querem é o sofrimento sem vida. 
Escrevi este texto porque ouço com certa frequência a pergunta: “Ainda toma remédio?”. E, algumas vezes, a questão vem acompanhada de sugestões: “Mas por que você não faz mais exercício, para parar com isso?”. “Já tentou ficar sem tomar?”. “Isso não é mania do médico, não?”. Bombardeada com perguntas assim e me sentindo mais inteira, pedi a meu psiquiatra que tentássemos reduzir o remédio. Ele acatou minha decisão, de forma experimental. Foram dias horríveis... 
Eu ainda não estou pronta. Mas estou no caminho. O medicamento me ajuda nisso, assim como a terapia, os exercícios, a família, os amigos, a música, o trabalho, o amor... E também este texto, e todos os outros que venho escrevendo. E, por isso, agradeço a sua leitura.
perfil Juliana Doretto - blog da Ruth (Foto: ÉPOCA)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Encontrar a perfeição na imperfeição

Porque achamos que temos de ser perfeitos, cobramos do outro perfeição, numa lógica mais simples do que parece.
E se não a encontramos – ou seja, sempre – nos revoltamos com a imperfeição alheia, nada mais do que reflexo da nossa própria imperfeição.
Num mundo cada vez mais midiático e conectado, as aparências nunca tiveram tanta força, nunca foram tão soberanas.
Vale o que parece ser, não o que de fato é. Vale o que eu escolho mostrar, não o que eu sou. Vale a maquiagem, a máscara, a superfície. Vale a foto do perfil.
Mas a vida nos ensina. Ou ao menos tenta. E, nela, não podemos escapar das nossas falhas, misérias, fragilidades, ou como queira chamar.
Mais cedo ou mais tarde, o outro se depara com elas. E nós também com as dele. E segue a vida, nessa troca certa.
Quanto mais procuramos romper com essa verdade, mais nos decepcionamos, mais tornamos a vida mais pesada. E mais fantasiosa e ilusória, uma vez que buscar a perfeição – em si e no outro – é tentativa eternamente frustrada.
Parece óbvio demais. E é. Mas não raras vezes entramos no circuito perverso das idealizações e, sem que percebamos, somos hipnotizados em meio a missões impossíveis.
Ajustar o foco é preciso. Aos poucos, que seja.
Encontrar a perfeição na imperfeição é o desafio. Em outras palavras (uma, por sinal): amar. Amar a si mesmo e ao outro, ciente da humanidade da qual ninguém pode fugir.

Blog: Ler a vida.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz

Essa lista é uma tradução, o texto original e em inglês é do World Observer Online.

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1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo
Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não valehttp://cdncache1-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim? 
2. Desista da sua necessidade de controle
Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.
“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” Lao Tzu
3. Pare de culpar os outros
Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.
4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas
Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.
“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente. Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” Eckhart Tolle
5. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!
“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” Elly Roselle
6. Pare de reclamar
Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Ninguém pode te deixar infeliz, nenhuma situação pode te deixar triste ou na pior, a não ser que você permita. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.
7. Esqueça o luxo de criticar
Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos. Nós todos queremos algo e algo é desejado por todos nós.
8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros
Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.
9. Abra mão da sua resistência à mudança
Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Siga a sua felicidade, abrace a mudança – não resista a ela.
“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” Joseph Campbell
10. Esqueça os rótulos
Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.
“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer
11. Abandone os seus medos
Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.
“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” Franklin D. Roosevelt
12. Desista de suas desculpas
Mande que arrumem as malas e diga que estão demitidas. Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presoshttp://cdncache1-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.
13. Deixe o passado no passado
Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir. Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.
14. Desapegue do apego
Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno… Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.
15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas
Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.

 Fonte: Guia Ingresse

MEDO DO SILÊNCIO

Quem tem medo do silêncio?

O silêncio não é fácil. Chegamos a um ponto em nossa sociedade moderna, em que a quietude e a tranquilidade são vistas como práticas que precisam ser evitadas. Vivemos no mundo do barulho, da correria desenfreada, das pessoas agitadas e com os “nervos à flor da pele”. O excesso de informações, ruídos e sons humanos invadem a vida. Assim, mais do que nunca, vamos nos distanciando de nós mesmos, e perdendo a condição de mantermos livre o espaço necessário para a contemplação, para a meditação e reflexão.

Muitas pessoas fogem do silêncio porque não suportam a falta de ruídos, e as pausas. Não sabem estar sem ter o que fazer,  e também não toleram a ausência de pessoas. Muitas não aguentam mais que o minuto regulamentar para homenagens fúnebres e logo ficam inquietas, impacientes, e precisam cantar, falar, ligar a TV, ou colocar os fones do iPod nos ouvidos. Muitos casais sentem-se desajeitados e não conseguem passar um tempo juntos num silêncio cúmplice e amoroso. Nessa sociedade ensurdecedora o silêncio incomoda, enlouquece e oprime.

O silêncio geralmente é visto como algo negativo, como mera ausência de som. Mas o silêncio, ou, os silêncios, podem variar em quantidade e qualidade, podem ser espontâneos ou estratégicos, voluntários ou forçados, quentes ou “frios como uma pedra”, normais ou patológicos. O fato é que o silêncio é também positivo e necessário, e um sábio mestre. É importante aprender a ouvir o silêncio, embora muitas vezes é difícil interpretá-lo. O silêncio é uma forma de comunicação que pode e deve ser aprendida.

Na música, o próprio silêncio tem ritmo, e são tão importantes quanto o som. As pausas são as figuras que representam os momentos de silêncio na música, e o músico conta estes silêncios com o mesmo valor que têm as notas que produzem o som. Toda música tem sua pausa, e nós também precisamos de pausas. A vida necessita do silêncio da pausa.

O silêncio é psicoterápico. É importante que paremos por alguns instantes da correria estressante para estarmos tranquilos e quietos, e ouvirmos apenas a nossa voz interior despertando sentimentos, harmonizando desejos, abrindo perspectivas, favorecendo o equilibrio emocional e afetivo, e o autoconhecimento. É a solidão necessária.

O silêncio pode parecer um vazio terrível, uma assustadora escuridão. Esse vazio só é preenchido com a consciência de si mesmo. É em silêncio que podemos fazer incríveis mergulhos para dentro de nós mesmos, e nos possibilitarmos então, para incríveis viagens para fora de nós.



Eliana Bess d'Alcantara - CRP 05/33535

sábado, 2 de novembro de 2013

Emoções


Emoções

Diferentemente dos animais, nós dispomos de uma forma de expressar o que vai na nossa alma: as palavras. É óbvio que, sendo a emoção um fenômeno com importante componente corporal, as palavras por si só não bastam para comunicá-las. Mas certamente são auxiliares valiosos.
Mas, infelizmente, somos condicionados, desde cedo, a não falar sobre o que sentimos, principalmente se esse sentimento for percebido como algo que nos inferioriza. Tudo pode estar minado por dentro, mas deve-se fazer todo o esforço do mundo para se exibir uma fachada de normalidade.
Confessar medos e fraquezas é visto como perigoso para o “prestígio pessoal” e pode parecer um sinal de insegurança. Paradoxalmente, são justamente as pessoas mais seguras e confiantes que têm menor receio de confessar seus temores e falhas.
Uma das mais antigas descobertas da humanidade indica que o ato de confessar o que sentimos é bom para o corpo e para a alma. A tristeza compartilhada e a dor revelada diminuem as tensões geradas pela angústia e pelas perdas. Mas a importância e o benefício de falar sobre os sentimentos não se restringe apenas à dor. É necessário também externar e compartilhar as coisas boas.
Enfim, a questão é que a repressão das emoções – e de sua expressão verbal – não pode ser seletiva; deve-se “por para fora” todos os sentimentos; falar o que realmente se sente, reagir, sentir e externar afeto ou mágoa. Se a emoção não se libera, agarra-se aos órgãos, perturbando seu funcionamento.
O desgosto que se pode exprimir por gemidos e lágrimas é rapidamente esquecido; já o sofrimento mudo remói incessantemente o coração e termina por abatê-lo.
By Dr. Marco Aurélio Dias da Silva, no livro “Quem ama não adoece”.