quinta-feira, 24 de julho de 2014

Todo dia é dia de pedir mais.


A gente podia ser mais tolerante um com o outro. Fazer uma corrente do bem, dos bons pensamentos, da sinceridade, da tribo do romance e da delicadeza. E pedir mais. Muito mais. Mais amor. Mais gente fina, elegante e sincera. Mais contas pagas. Mais unhas fortes. Mais bunda lisinha. Mais coxas firmes. Mais beijos na bochecha, na testa e na boca. Mais beijos de língua. Mais beijos de cinema. Mais gente que cuida da própria vida. Mais liquidação.

Mais bom dia, boa tarde e boa noite. Mais educação. Mais com licença, de nada, me desculpa, obrigada, por favor. Mais livros. E mais leitores. Mais cheirinho de casa limpa e roupa nova. Mais feriado. Mais dias de sol e vento no rosto. Mais outono e primavera. Mais namoro. Mais mãos dadas. Mais abraços acolhedores. Mais conforto. Mais carinho nas costas. Mais massagem nos pés.

Mais dinheiro achado no bolso da calça. Mais água de coco e espumante geladinhos. Mais Pringles e Doritos. Mais shampoo que deixa o cabelo brilhoso. Mais segurança. Mais ar-condicionado. Mais saúde para dar, vender e emprestar. Mais cama boa para deitar. Mais banhos de banheira com espuma. Mais rímel que não borra. Mais calça que não aperta. Mais sapato que não machuca.

Mais soninho depois do almoço. Mais pôr-do-sol. Mais lambida de cachorro. Mais conversa para resolver os problemas. Mais respeito de telemarketing. Mais respeito no trânsito. Mais respeito no condomínio. Mais respeito na fila do banco. Mais respeito. E ponto.

Mais amor ao falar. Mais paciência ao ouvir. Mais cautela ao lidar. Mais roupa bonita no closet. Mais amigos de verdade. Mais sorrisos de verdade. Mais amores de verdade. Mais verdade. E só.

Mais programa bom na televisão. Mais pessoas de boa índole. Mais atenção nas pequenas coisas. Mais decência ao se vestir. Mais silêncio no cinema. Mais condições em hospitais e escolas. Mais noção na cabeça de presidente, governador, prefeito, deputado e vereador. Mais gente ajudando pessoas e bichos. Mais punição para quem faz o mal. Mais chances para quem se mata de tanto trabalhar. Mais criança na escola. Mais pais conscientes. Mais gente que bebe e pega táxi.

Mais amor próprio. Porque antes de amar qualquer coisa ou pessoa você tem que amar você mesmo primeiro.

Clarissa Corrêa

domingo, 13 de julho de 2014

A vida é...


A vida é cíclica. Um eterno ir e vir de coisas que deixam marcas, de outras que passam, de tantas mais que nos ensinam algo de bom e de verdadeiramente importante sobre os outros e sobre nós mesmos. A vida é labirinto, um caminho cheio de curvas, de pontes, de barrancos e de uma infinidade de direções. Se teve erro, se teve acerto, se teve acordo desfeito ou promessa não cumprida. Se teve sorriso sincero, se teve lágrima e gritaria, se teve abraço apertado ou indiferença, não importa, pega o que te faz melhor e segue em frente. Porque a vida é presente. Uma dádiva divina. Um hino de esperança que, todos os dias, toca suave no rosto da gente, acariciando a pele, iluminando o caminho, despertando o corpo e a alma para a verdade de todas as coisas. O recomeço. A chance de fazer diferente. De escolher diferente. A vulnerabilidade. As descobertas. A mudança.


A vida é desafio. É autodescoberta. Transformação. Superação. Coragem. Para ser quem a gente realmente é, para agir com congruência em todos os momentos, para defender a nossa verdade em quaisquer circunstâncias, para simplesmente não se importar com as críticas e os julgamentos de quem quer que seja.

Porque a vida te obriga a gerar empatia. A se colocar no lugar do outro sem questionamentos e sem porém. A enxergar o mundo com os olhos do coração. A sair da zona de conforto, mesmo morrendo de medo. A se dar uma chance. A assumir o risco. 

Quando eu passo a enxergar no meu semelhante uma partícula divina, quando eu passo a compreendê-lo como um ser humano que, assim como eu, tem suas forças e suas fraquezas, seus sonhos, suas esperanças e seus fantasmas interiores, eu desenvolvo a maior habilidade de todo o nosso existir: a compaixão.

Porque a vida é cíclica, sim. É roda-gigante. Estrada. Devaneio. Mas também é solo fértil para a evolução de cada um de nós. É janela aberta para o aprendizado profundo e intermitente. É saber gerar empatia, desenvolver a compaixão, praticar a comunicação amorosa e lidar com os nossos conflitos de uma forma mais respeitosa, harmônica e verdadeira.

A vida não é espera. A vida é decisão. Viver ou não viver plenamente. Ser ou não ser de verdade. Amar ou não amar o próximo com compaixão. Sou eu. Você. A pessoa que passou ao seu lado hoje de manhã, mas que você não sabe nem o nome. 

A vida é brilho nos olhos, consciência tranquila e coração batendo forte, com paixão. Compaixão.

O resto é bobagem.


PS. Retalhos

sábado, 5 de julho de 2014

Vale a pena ler de novo

 Ah, não sei não. Não é do meu destino ser moderada. Não está em mim, não entendo. Tomo cinco gotas de floral três vezes ao dia. Escuto músicas com sons de chuva. Tenho frases “zen” espalhadas pela casa. Procuro meditar. Adoro final de semana no mato. Ando descalça. Invento letras pra espantar mau-olhado. Mas, quer saber? Tudo com o que eu me importo, ME IMPORTA MUITO. Me suga, me leva, me atrai, se funde com tudo o que sou e me consome. Toda. Por inteiro. Sorte minha me doar tanto – e com tal intensidade – e ainda sair viva dessa vida.

Li por aí que homens têm de ser DIRIGIDOS e mulheres têm de ser CONTROLADAS. Alguém já ouviu falar isso? Foi o autor Carlos Castaneda que escreveu. É, pessoal. Há muita verdade escondida ali, naquela simples frase maluca: homens precisam de direção e nós, mulheres, apenas de controle. CONTROLE SOBRE NÓS MESMAS, devo dizer. Porque direção – por mais que a gente negue e afirme estar perdida – a gente tem. Mulher nasceu com um sexto sentido aguçado, e nosso “não-saber” é mais sábio que a própria razão. Duvida? Devo admitir que às vezes também duvido. De mim. Moro no lado ocidental do planeta, mas nasci amiga da lua. E me vejo por horas na rua, procurando explicações plausíveis pra tudo. Uma contradição? Pode ser. Mas uma coisa eu aprendi no susto. A gente tem um poder – dentro da gente – que não tem tamanho. E para mim, canceriana e exagerada, esse é um desafio que me faz ficar cara a cara com quem pode, às vezes, se tornar a minha pior inimiga: eu mesma. Nunca me disseram que a maior batalha acontece aqui, bem dentro da gente. (Ou já me disseram, e eu não entendi direito: frases só fazem sentido quando estamos prontas pra ouvi-las.).

Por isso, hoje, com toda a minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas. E as estudo como se minha vida dependesse disso. É. Com o autocontrole nas mãos, um propósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos – quem sabe? – nos tornar guerreiros impecáveis. Ou – se não – apenas sorrir mais. O que pra mim já vale a luta.



Autora: Fernanda Melo