Ah, não sei não. Não é do meu destino ser moderada. Não está em mim, não
entendo. Tomo cinco gotas de floral três vezes ao dia. Escuto músicas
com sons de chuva. Tenho frases “zen” espalhadas pela casa. Procuro
meditar. Adoro final de semana no mato. Ando descalça. Invento letras
pra espantar mau-olhado. Mas, quer saber? Tudo com o que eu me importo,
ME IMPORTA MUITO. Me suga, me leva, me atrai, se funde com tudo o que
sou e me consome. Toda. Por inteiro. Sorte minha me doar tanto – e com
tal intensidade – e ainda sair viva dessa vida.
Li por aí que homens têm de ser DIRIGIDOS e mulheres têm de ser
CONTROLADAS. Alguém já ouviu falar isso? Foi o autor Carlos Castaneda
que escreveu. É, pessoal. Há muita verdade escondida ali, naquela
simples frase maluca: homens precisam de direção e nós, mulheres, apenas
de controle. CONTROLE SOBRE NÓS MESMAS, devo dizer. Porque direção –
por mais que a gente negue e afirme estar perdida – a gente tem. Mulher
nasceu com um sexto sentido aguçado, e nosso “não-saber” é mais sábio
que a própria razão. Duvida? Devo admitir que às vezes também duvido. De
mim. Moro no lado ocidental do planeta, mas nasci amiga da lua. E me
vejo por horas na rua, procurando explicações plausíveis pra tudo. Uma
contradição? Pode ser. Mas uma coisa eu aprendi no susto. A gente tem um
poder – dentro da gente – que não tem tamanho. E para mim, canceriana e
exagerada, esse é um desafio que me faz ficar cara a cara com quem
pode, às vezes, se tornar a minha pior inimiga: eu mesma. Nunca me
disseram que a maior batalha acontece aqui, bem dentro da gente. (Ou já
me disseram, e eu não entendi direito: frases só fazem sentido quando
estamos prontas pra ouvi-las.).
Por isso, hoje, com toda a minha birutice e uma vontade de aprender que
não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas. E as estudo
como se minha vida dependesse disso. É. Com o autocontrole nas mãos, um
propósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos –
quem sabe? – nos tornar guerreiros impecáveis. Ou – se não – apenas
sorrir mais. O que pra mim já vale a luta.

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