quarta-feira, 27 de julho de 2016

5 sintomas da intoxicação emocional

“Me sinto vulnerável, me chateio com facilidade e, de vez em quando, sinto a necessidade de sair correndo e deixar tudo para trás. Deixo de estar interessada e fico indiferente num milésimo de segundo, me animo em finalizar um projeto, mas no momento seguinte fico entediada.”
“Vivo em uma montanha russa constante, o riso e o choro me acompanham e me desestabilizam nos momentos mais inesperados. Preciso fazer um grande esforço para separar minhas preocupações presentes e passadas. A insegurança reina em minha vida.”
“Frequentemente reajo de forma desproporcional e não consigo expor meus pensamentos e emoções com clareza, o que está me trazendo muitos problemas. Além disso, não me sinto confortável com nada nem ninguém, é como se me sufocasse, porque sinto uma profunda necessidade de ter alguém que me dê a mão…”
Consegue identificar alguém ou você mesmo nas palavras ditas acima? Esse poderia perfeitamente ser o discurso de uma pessoa sob os efeitos da intoxicação emocional. Muitos de nós compreendem quais são os efeitos da intoxicação por álcool; é visível como as percepções se alteram, que a capacidade de reação se deteriore, que o pulso cardíaco diminua…

Mas, será que somos capazes de interpretar a intoxicação emocional?

Se você está passando, ou passou, por momentos de grande carga emocional, é provável que esteja intoxicado. As causas são diversas já que somos seres emocionais em nossa totalidade, mas em qualquer caso, a intoxicação emocional é a consequência de não tirarmos um tempo diário para cultivar nosso interior.


1- Suas percepções se alteram

Você estará olhando o mundo com as lentes das emoções, não ligará para razões e não escutará a você nem aos demais. Fazer isso pode parecer uma perda de tempo, mesmo que não haja nada mais longe da realidade.
Isto pode gerar nervosismo e impaciência frente a reações emocionais inesperadas que estejam fora do nosso controle, já que não sabemos como manejar o que vem a seguir.

2- Sua inseguranças afloram

Suas inseguranças afloram e controlam sua vida. Você se tornou mais reativo e se coloca frequentemente na defensiva. Sua autoestima está completamente debilitada e você se sente vulnerável diante de qualquer acontecimento.
Suas forças fraquejam e suas emoções estão lhe impedindo de ver com clareza o valor que você tem e o que você é capaz de fazer. Isto fomenta o desenvolvimento da dependência emocional, a ponto de acreditar que você não pode fazer nada sozinho.

3- O bloqueio emocional impede de avançar

Dar passe livre para as nossas reações emocionais sem submetê-las a um filtro mental limita a nossa capacidade de comunicação e de avanço. É comum que nos encontremos em situações nas quais não sabemos como agir, como consequência da nossa intoxicação.
Digamos que estar emocionalmente intoxicado impede de pensar antes de falar e ter uma perspectiva  sobre o que acontece.
“Você deve ter sempre a cabeça fria, o coração quente e largar mão”, disse Confúcio. Uma reação “quente” faz com que nossas emoções nos controlem e que nossos impulsos explodam, pois não seremos os mesmos se agirmos neste momento.

4- A vertigem emocional impede de deixar o que não faz bem ir embora

Eu definiria o medo de “deixar ir embora” como vertigem emocional; isso não é mais que o medo em seu mais puro estado, o medo de enfrentar o vazio gerado pela perda. É o medo do luto pela perda do nosso amor pelo sacrifício, e da nossa fraqueza pelo masoquismo.
Você se sente irritável se sair do roteiro preestabelecido para a sua vida e sente que, se desviar, provocará um sacrifício que desequilibrará por completo a sua existência. Você não se sente capacitado para seguir com a sua vida se abandonar esses hábitos ou pessoas que permanecem a seu lado, mas, ainda assim, sabe que algo em relação a eles não vai bem.

5- A preguiça mental rege sua vida e sua capacidade de esforço

É provável que, se você estiver intoxicado, sinta que não escuta o que os outros dizem e que não só sua atenção, mas também a sua memória, são excessivamente seletivas.
Isso se agrava caso você se encontre na encruzilhada de uma discussão, pois você começará a retorcer as palavras escutadas e a tirar suas próprias conclusões, de acordo com suas frustrações e problemas.
Não é que você não queira fazer algo de forma adequada, senão que representa um tremendo esforço mental ter diferentes perspectivas sobre qualquer questão e estar a par de tudo. Não é que você não tenha a energia necessária para enfrentar os desafios cotidianos, é que você não sente que tem forças para fazê-lo.

Como agir diante da intoxicação emocional?
Precisamos entender que quando estamos sob a influência das nossas emoções e inseguranças, nos deterioramos enormemente. Não estamos interpretando as coisas com precisão e somos muito propensos a dizer ou fazer coisas das quais podemos nos arrepender mais a frente.
Frente a estes problemas, o importante é que sejamos conscientes de que estamos cheios de emoções e que devemos dar um tempo para que possamos analisá-las e aceitá-las.
Se aprendermos a identificar estes cinco sintomas com rapidez, nos daremos conta do nosso estado de “embriaguez”, permitindo que nos retiremos a tempo; essa retirada acabará sendo incrivelmente vantajosa em nosso balaço vital.
Fonte indicada: A mente é maravilhosa
Créditos da imagem principal: Little

domingo, 24 de julho de 2016

ALGUMAS PESSOAS SÓ VÃO TE AMAR QUANDO VOCÊ PARAR DE AMÁ-LAS

Algumas pessoas não vão te valorizar até você partir. Quando você já não proporcionar-lhes o apoio que tinham como certo, quando você já não enviar mais as mensagens doces que ignoravam, quando você já não recebê-los de braços abertos a cada vez que baterem em sua porta no meio da noite e quando você não esperar suas ligações ao lado do telefone.
Algumas pessoas não vão perceber o quanto você as amou até não encontrarem mais ninguém que possa amá-las tanto. Quando elas não conseguirem encontrar alguém que ama tudo o que as vergonha, que olhe para elas como se fossem a única coisa que desejam ou alguém que as faz sentir como se estivessem em casa – seguros e protegidas de todos o caos e barulho do mundo.

algumas pessoas só vão te amar quando você

Algumas pessoas só vão tentar ter a sua atenção uma vez que você parar de dar-lhes. Quando você parar de ser seu maior fã, quando você parar de gostar de todos os seus postos, quando você parar de liga-las no meio do dia para dizer o quanto você as ama, quando você parar de comprar-lhes coisas que elas mencionaram que queriam em uma conversa aleatória e quando você parar de desistir de tudo para estar lá para quando precisarem de você.
Algumas pessoas só vão tentar ganhá-lo de volta depois de perdê-lo. Quando elas se lembrarem que você tem opções, quando se lembrarem de que alguém lá fora que vai tratá-lo melhor, quando elas se lembrarem que você não vai aceitar ser uma opção para sempre, quando se lembrarem de quão egoístas foram o tempo todo e como nunca fizeram você sentir que era importante.
Algumas pessoas só vão sentir a sua falta quando você as esquecer. Quando você esquecer de liga-las em seu aniversário, quando você esquecer a sua música favorita, quando você se esquecer de seus segredos e jogar fora suas memórias. Quando você esquecer a forma como elas fizeram você se sentir.

algumas pessoas só vão te amar quando você2

Algumas pessoas só irão respeitá-lo quando você se afastar. Quando perceberem que você comprometeu-se para com elas, quando elas se lembrarem do número de vezes em que você saiu do seu caminho para agradá-las, quando reconhecerem as vezes que você já as perdoou, e quando você foi embora porque já era o suficiente – porque confundiram sua paciência e compreensão com fraqueza, e confundiram sua vulnerabilidade com passividade.
Algumas pessoas só vão te amar quando você parar de amá-las. Quando você não sentir mais falta do toque de sua mão ou do som de sua voz. Quando puderem ver que você mudou e não olha para elas da mesma maneira que costumava fazer. Quando você não pensar mais nelas antes de dormir ou ir de carro até casa para se certificar de que estão bem. Quando finalmente estiverem prontas para abrir seus corações para você depois de ter feito o seu em pedaços. Algumas pessoas nunca vão ter a chance de te amar de novo, porque o seu coração pertence a quem não precisa perdê-lo para aprender a mantê-lo.
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Traduzido pela equipe de O Segredo – Fonte: Tought Catalog

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Mães e filhas: o vínculo que cura, o vínculo que fere

Cada filha leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Porque, se algo deve ficar claro, é que sempre teremos algo de nossa mãe.
Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando. Ela é a que, antes de nascermos, ofereceu nossa primeira experiência de carinho e de sustento. E é através dela que compreendemos o que é ser mulher e como podemos cuidar ou descuidar do nosso corpo.
Nossas células se dividiram e se desenvolveram ao ritmo das batidas do coração; nossa pele, nosso cabelo, coração, pulmões e ossos foram alimentados pelo sangue, sangue que estava cheio de substâncias neuroquímicas formadas como resposta a seus pensamentos, crenças e emoções. Quando sentia medo, ansiedade, nervosismo, ou se sentia muito aborrecida pela gravidez, nosso corpo se inteirou disso; quando se sentia segura, feliz e satisfeita, também notamos.
– Christiane Northrup –

O legado que herdamos de nossas mães

“A maior herança de uma mãe para uma filha é ter se curado como mulher”
– Christiane Northrup –

Qualquer mulher, seja ou não seja mãe, leva consigo as consequências da relação que teve com sua progenitora. Se ela transmitiu mensagens positivas sobre seu corpo feminino e sobre a maneira como devemos trabalhá-lo e cuidá-lo, seus ensinamentos sempre irão fazer parte de um guia para a saúde física e emocional.
No entanto, a influência de uma mãe também pode ser problemática quando o papel exercido for tóxico, devido a uma atitude negligenciada, ciumenta, chantagista ou controladora.
Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmas, a nos curarmos, e a sermos capazes de assimilar o que pensamos de nosso corpo ou a explorar o que consideramos possível conseguir na vida.

A atenção materna, um nutriente essencial para toda a vida

Quando uma câmera de TV filma alguém do público em algum evento esportivo ou qualquer outro acontecimento… O que as pessoas costumam gritar? “Oi, mãe!”
Quase todos nós temos a necessidade de sermos vistos por nossas mães, buscamos sua aprovação. Na origem, esta dependência obedece às questões biológicas, pois precisamos delas para subexistir durante muitos anos; no entanto, a necessidade de afeto e de aprovação é forjada desde o primeiro minuto, desde que olhamos nossa mãe para sabermos se estamos fazendo algo certo ou se somos merecedores de uma carícia.
Assim como indica Northrup, o vínculo mãe-filha está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida. No entanto, isso nem sempre acontece assim…
Com o passar dos anos, esta necessidade de aprovação pode se tornar patológica, gerando obrigações emocionais que propiciam que nossa mãe tenha o poder sobre nosso bem-estar durante quase toda a nossa vida.
O fato de que nossa mãe nos reconheça e nos aceite é um sede que temos que saciar, mesmo que tenhamos que sofrer para conseguir isso. Isso supõe uma perda de independência e de liberdade que nos apaga e nos transforma.
filha-mãe1

Como começar a crescer como mulher e filha?

Não podemos escapar desse vínculo, pois seja ou não saudável, sempre estará ali para observar nosso futuro.
A decisão de crescer implica limpar as feridas emocionais ou qualquer questão que não tenha sido resolvida na primeira metade de nossa vida. Esta transição não é uma tarefa fácil, pois primeiro temos que detectar quais são as partes da relação materna que requerem solução e cicatrização.

Disso depende nosso senso de valor presente e futuro. Isso acontece porque sempre há uma parte de nós que pensa que devemos nos dar em excesso para a nossa família ou para o nosso parceiro para sermos merecedoras de amor.
A maternidade e, inclusive, o amor de mulher continuam sendo sinônimos culturais na mente coletiva. Isso supõe que nossas necessidades sejam sempre relegadas ao cumprimento ou não das dos demais. Como consequência, não nos dedicamos a cultivar nossa mente de mulher, senão a moldá-la ao gosto da sociedade na qual vivemos.
mãe-filha
As expectativas do mundo sobre nós podem ser muito cruéis. De fato, eu diria que constituem um verdadeiro veneno que nos obriga a esquecer nossa individualidade.
Estas são as razões que fazem tão necessária a ruptura da cadeia de dor e cicatrização íntegra de nossos vínculos, ou as lembranças que temos deles. Devemos estar cientes de que estes vínculos se tornaram espirituais há muito tempo e, portanto, cabe a nós fazermos as pazes com eles.
Fonte consultada: Mães e filhas de Christiane Northrup

Silenciar sobre o suicídio é o que mata

Óleo sobre tela: Silêncio / Fabiano Millani
 Uma amiga chegou esta manhã para me pedir um conselho. Um querido amiga dela havia morrido por suicídio.
"O que você diz quando alguém tira a sua própria vida?" Perguntou ela.
Poderia ter sido eu.
Minha amiga e eu conversamos brevemente sobre seu amigo. Eu nunca o tinha encontrado; eu não o conhecia. Mas, ao mesmo tempo em que eu a ouvia  falando sobre o suicídio dele, eu senti como se o conhecesse muito bem. Pude sentir o que se passou com ele no exato minuto em que tirou a própria vida. Eu me conectei à ele de uma maneira muito profunda.
Ficamos conectados porque eu conheço bem os demônios que ele carregava.  Eu acredito que os meus são os mesmos. Eu posso imaginar o que ele poderia ter sentido: como é você estar em um corpo que é ocupado por outra pessoa. Como é você estar se afogando. Como se você estivesse engolindo água quando todos à sua volta estão respirando ar puro. Eu tenho visto o mundo através da mesma névoa negra e atravessado a mesma areia movediça pegajosa. Eu sei. Eu estive lá.
Eu costumava pensar que a dor me fez uma pessoa isolada. Que a dor emocional profunda que eu tenho experimentado me fez diferente de você, me tornou inferior à você. Eu escondi a minha dor, porque eu tinha medo que você venha a pensar que eu sou fraca. Eu estava com medo de que minha escuridão tenha feito de mim uma pessoa feia. Eu estava com medo de que se as pessoas soubessem o tipo de pensamentos que tenho, os pensamentos que me diziam que eu não valia nada e não merecia viver, elas me tratariam realmente como se eu não merecesse viver.
Eu não falei com ninguém sobre minha dor até que foi quase tarde demais. Eu não contei a ninguém que eu queria morrer até que eu quase me matei. Mas depois que eu acordei e depois de, com muito esforço, tomar em minhas mãos a minha própria vida, esperança nasceu. 
A esperança escancarou a porta para eu falar abertamente sobre a minha dor. E quando eu comecei a falar, comecei a ver que havia dores semelhantes em muitas outras pessoas. Meus olhos já não estavam cegos pelo medo. Eu agora enxergava outras pessoas que se sentiam com eu, conectando-nos da maneira mais profunda.
Nunca foi a dor que me isolou, mas o meu medo. O medo de não ser compreendida, o medo de ser diminuída, o medo do preconceito. Uma vez que a esperança entrou e me devolveu a vontade de viver, o medo soltou suas garras. E quando eu comecei a deixar de lado o medo, comecei a ver a beleza que vive debaixo da dor.
Minha escuridão já não me isola. Meus sentimentos de inutilidade e vergonha, meus pensamentos de que não tenho nenhum valor, os pensamentos que me dizem que eu não mereço viver, que o mundo seria um lugar melhor sem mim, não me fazem mais me sentir sozinha. Eles não me isolam porque eu os compartilho. E falo sobre eles. Eu os utilizo para construir uma ponte entre mim e outras pessoas que se sentem e pensam da mesma maneira. Nossa escuridão nos permite que entremos em comunhão, e essa ligação acende uma luz dentro de nós que nos livra da escuridão.
E sempre que alguém morre de uma maneira tão trágica, isso soa para mim como um grande lembrete de por que eu preciso continuar a falar sobre o suicídio e compartilhar a minha dor.
Alguns perguntam se eu não tenho medo de falar abertamente sobre as minhas últimas lutas e, as vezes presentes, intenções suicidas. "Você não está com medo do que as pessoas pensam? Você não está com medo de como as pessoas vão te julgar? "
Não. Eu não estou com medo de falar sobre o suicídio. Estou com medo de ficar calada. O silêncio é o que alimenta a minha depressão. O silêncio se transforma em pensamentos e em obsessões e obsessões podem levar a ações. O silêncio é a arma mais mortal de todas. O silêncio mata. Eu sei que o meu silêncio iria me matar, e eu não quero morrer.
Eu falo sobre isso para outras pessoas que estão com medo de falar abertamente sobre suas intenções suicidas para que elas saibam que não estão sozinhas. Nós nunca estamos sozinhos, acredite. Vou repetir: nós nunca estamos sozinhos, apesar de quão solitário que nos sentimos.
Minha dor não me faz diferente de você. Ele não me faz menos do que você. Minha escuridão não é feia e maldita. É uma bela ponte que me liga a você. E se conectar através da dor é a mais poderosa e transformadora conexão que já experimentei.   

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ela aprendeu a ser forte, por dentro e por inteiro

Alguns chegaram a achar que ela havia enlouquecido. A verdade é que ninguém entendia as razões para que ela estivesse tão diferente em um espaço tão curto de tempo. Talvez cansaço, esgotamento, maturidade ou qualquer definição que seja. O que todos concordavam já era claro: ela mudou.
Aquela fragilidade que, por diversas vezes, atribuía a ela uma impressão de garota indefesa, agora dava lugar a um silêncio imperativo e resiliente. Uma espécie de força que ninguém imaginava que ela pudesse ter. Mas o que ela queria que todos compreendessem era bem simples: não foram mudanças, foi aprendizado.
Depois de ter sido meticulosamente dilacerada por dentro, após sentir seu coração ser arrancado para fora do peito sem nenhuma piedade e depois de, mesmo sangrando e com dores, ter sido obrigada a caminhar sobre os cacos que feriram e despedaçaram sua alma, ela aprendeu, finalmente, que não poderia permanecer onde não recebesse menos do que merecia.
E aos poucos ela foi abrindo mão da dor, da mágoa, do sofrimento, da angústia, do sentimento que só ela sentia. Ela entendeu que, quando não é ofertado de volta sequer o mínimo daquilo que ela oferece ao outro, então a vida já deu a resposta. E isso vai além de reciprocidade, pois ela descobriu que não pode ofertar amor e receber somente carinho, que não pode oferecer amor e receber apenas um pouco de atenção. O amor que ela oferta é grande demais para se sustentar com migalhas.
Ela se reestruturou por dentro e por inteiro. Ela se blindou do amor mais precioso que existe: o próprio. Não que isso indique que agora ela não sinta mais a necessidade de se entregar para outra pessoa. Não é nada disso. Reconstruída, hoje ela entende que, em sua vida, não há mais espaços para coisas, pessoas ou sentimentos superficiais.
Ela deu um basta em tudo que já se inicia com o prazo de validade aparente. Agora, ela só se interessa por sentimentos verdadeiramente recíprocos, por pessoas intensas, por amores reais.
Jey Leonardo

terça-feira, 19 de julho de 2016

Cuidado com essa carência, ela afasta as pessoas de você…

“Quando alguém carente se aproxima das pessoas, essa aproximação quase nunca é descompromissada ou relaxada. Existe sempre uma certa tensão”.
Pessoas carentes são como polvos gigantes, esses seres maravilhosos de que fala Julio Verne. Nas páginas dos livros são encantadores e cheios de magia, mas na vida real… acabam afastando de si mais gente do que gostariam.

Carência é esse sentimento incômodo que muitas pessoas carregam, percebida por elas como um tipo de buraco, uma fome constante que chega a doer. Às vezes é fome de afeto, de amor… mas também pode aparecer como fome de atenção, como o desejo de estar sempre no palco das relações, sendo valorizado, cuidado, tratado de forma especial.
É uma exigência, muitas vezes inconsciente, uma expectativa de que os outros supram você de alguma maneira, desejo esse que costuma se impor à sua capacidade de perceber o outro como um ser individual que tem direito a escolhas e limites.
Uma pessoa carente sempre exige, mesmo que de forma disfarçada, que o outro lhe dê o que quer. Não compreende que o outro tem o direito de dizer não. O outro tem o direito de não querer lhe dar algo. O outro tem o direito de não gostar de você. (Afinal, quem é amado por “todas” as pessoas?)
Quando alguém carente se aproxima das pessoas, essa aproximação quase nunca é descompromissada ou relaxada. Existe sempre uma certa tensão. Por um lado os carentes polvos querem agir sempre adequadamente, para garantir que serão aceitos. (Sua liberdade de ser, ser simplesmente quem são, está limitada pela necessidade de saciar a suposta fome). Por outro lado, aproximam-se na expectativa de receber. Raramente aproximam-se para dar algo ao outro.
Como polvos ambulantes, pessoas carentes estendem na direção da vítima seus enormes tentáculos, tentando trazer em sua direção o que necessitam. Me dê… me dê… me dê… Essa é a mensagem inconsciente que acabam transmitindo, mesmo que o discurso seja muito diferente.
Só que, por ironia do destino, por mais que tentem disfarçar suas intenções, o outro acaba pressentindo os tentáculos e na maior parte das vezes se afasta de você. Isso faz com que a pessoa carente se sinta rejeitada, o alimento lhe foi negado, a fome aumenta e ela tenta com ainda mais intensidade, numa bola de neve sem fim.
Quando vamos com sede demais ao pote acabamos derrubando-o, e lá se vai nossa chance de beber seu conteúdo. As pessoas se afastam quando percebem alguém se aproximar na expectativa de ser suprido, como um náufrago desesperado em busca de algo a se agarrar. E a pessoa fica lá, sozinha no meio do oceano. Como uma brincadeira maldosa do destino, a pessoa acaba afastando cada vez mais a possibilidade de receber o que quer.
Ora, a pessoa carente não faz isso por que queira ser má, ou lesar o outro. Na verdade ela age baseada na falsa crença de que não consegue suprir a si mesma. Talvez venha de um lar onde não tenha se sentido amada, ou querida. Talvez tenha até recebido amor, mas por algum motivo não tenha conseguido sentir que isso tenha acontecido.
Por trás dessa atitude carente, existe uma dor e uma ilusão. A dor de uma criança ferida. A ilusão de que não se é nada mais do que essa criança.
Entenda: hoje você não é mais uma criança que precisa de alguém para cuidar de você. Aceite a ideia de que hoje você é grande o suficiente para cuidar de si mesmo!
Se a pessoa carente conseguir perceber que, não importa o que lhe tenha acontecido, isso é passado. E que hoje existe dentro dela uma força capaz de curar qualquer ferida. Se conseguir se identificar com seu lado adulto, parando de esperar que a cura venha de fora, ou das outras pessoas. Se conseguir pegar sua criança ferida no colo, e dar-lhe todo o amor, e atenção, e carinho… esse é o caminho para a transformação.
Se em vez de estender seus tentáculos na direção das pessoas, usar todos aqueles braços para abraçar, proteger e acariciar a si mesmo… se fizer isso, algo mágico começará a acontecer. O polvo vai aos poucos se transformando em uma espécie de ninho, seguro e quentinho… e nesse ninho você conseguirá se lembrar de sua verdadeira essência, e de lá sairá assumindo sua verdadeira forma, a da mais bela ave, e seu canto será tão pleno que todas as pessoas sentirão o desejo de se aproximar e acariciar suas suaves plumas.
De mãos dadas com o adulto que existe em você, sua fome será saciada por você mesmo. E a sua relação com as pessoas se transformará. Deixará de ser uma busca de alguém que supra suas necessidades infantis e passará a refletir o prazer e a alegria de uma troca genuína e adulta com outro ser humano. E com certeza, essa mudança fará com que as pessoas parem de se afastar de você e passem a querer estar a seu lado.
Por Patrícia Gebrim

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Leia se você estiver cansado de tudo

Todos nós nos cansamos, e não apenas no sentido físico. Às vezes nos esgotamos de tal maneira que ficamos sem forças. Queremos desistir de tudo e nos distanciar do mundo. Mas certamente isso não é a solução.
O mundo em que vivemos é muito cansativo. É muito ingrato. Você está cansado simplesmente por viver nele. Você está cansado de amar muito, dar algo ao mundo que nunca lhe dá nada em troca. Você está cansado da incerteza e da monotonia da vida cotidiana.
Você já esteve cheio de belas esperanças, o otimismo superava o cinismo e se sentia pronto para recomeçar. Mas, após ter o coração despedaçado, promessas não cumpridas e planos fracassados, você sente que perdeu tudo. O mundo nem sempre lhe tem sido bom, você perdeu mais do que ganhou e agora não sente absolutamente nenhuma inspiração para tentar novamente. Entendo.
A verdade é que estamos todos cansados. Cada um de nós. Ao chegar a uma certa idade, não somos mais do que um exército de corações partidos e almas doloridas buscando desesperadamente pela harmonia. Queremos mais, mas estamos cansados demais para pedir. Não gostamos de onde estamos agora, mas estamos com muito medo de começar algo do início. Temos de assumir riscos, mas sentimos medo de ver como tudo em nosso entorno pode simplesmente desmoronar. No final, não temos certeza de quantas vezes podemos começar tudo de novo.
Outra verdade é que estamos cansados uns dos outros. Estamos cansados dos jogos que jogamos, das mentiras que contamos a nós mesmos, da incerteza que semeamos entre nós. Não queremos usar máscara, mas tampouco queremos continuar a ser tolos e ingênuos. Temos de jogar nossos odiados papeis e fingir sermos alguém, porque não temos certeza da nossa escolha.
Eu sei quão difícil é seguir fazendo algo ou fingir fazer novas tentativas, quando já estão acabando as forças mentais. E aqueles ideais otimistas que estavam tão próximos parecem inatingíveis e ilógicos. Mas já que você está tão perto de desistir de tudo, vou pedir-lhe uma coisa: tente de novo, com todas as suas forças!
Somos muito mais resistentes e alegres do que podemos imaginar e isso é uma verdade inquestionável. Somos capazes de dar mais amor, mais esperança, mais paixão do que damos hoje. Queremos resultados imediatos e desistimos se não os vemos. Estamos desapontados com a falta de respostas e deixamos de tentar.
Você entende que nenhum de nós consegue estar inspirado todos os dias. Todos ficamos chateados e cansados. O fato de você se sentir exausto e cansado da vida não significa que esteja imóvel. Cada pessoa que você já admirou, quando buscou seus sonhos, também já falhou algum dia. Mas isso não o impediu de alcançar seus objetivos. Não desista, não importa o que você esteja fazendo, seja uma tarefa comum ou planos grandes e magníficos.
Quando estiver cansado, vá devagar. Mova-se com calma, sem pressa. Mas não pare! Você está cansado por razões objetivas. Sente-se esgotado porque está mudando e fazendo muitas coisas. Está exausto porque está crescendo. Algum dia este crescimento poderá realmente lhe inspirar.
Fonte: thoughtcatalog

Me perdoa por não insistir. Sinto que não há mais o que resgatar entre nós


Eu me lembro do início. Quando as palavras fluíam, os assuntos não terminavam e tudo era motivo pra ficar mais uns minutos. Eu me lembro dos meus olhos brilhando, do sorriso quando você chamava, dos apelidos. Eu me lembro das promessas, do abraço e saudade que você fazia.
Mas o tempo passou e a gente foi se distanciando. O assunto acabou. Eu me lembro de me esforçar para ter assunto. De me sentir obrigada a falar. De não sorrir mais. De não termos mais apelidos. Que estranha essa coisa… Uma pessoa que nos conhece tão bem, de repente se torna um desconhecido.
Eu me lembro de querer que não fosse assim. Eu juro que queria, que quero. Mas não dá. Simplesmente acabou, sabe? Sem mágoa, sem ressentimento, sem palavras a dizer. Só acabou.  Me perdoa por não insistir em nós. É que eu sinto que não há mais o que resgatar entre a gente. Eu te amo, e é um amor que te quer bem, te quer feliz, mas não faz questão de estar ao seu lado, como fez outrora. É um amor de quem te quer ver crescer na vida, mas vê que não há mais lugar ali pra si.
Me perdoa por não insistir, por deixar você seguir seu rumo longe de mim. Eu aceito que a vida tem disso, que a gente pode amar alguém mesmo que esse alguém não seja a nossa pessoa favorita no mundo, seja apenas alguém que passou e marcou a gente. Eu entendo que as pessoas são como jóias preciosas, quando a gente ganha umas, guarda outras. Elas permanecem ali. Não perdem o valor, só perdem a prioridade. Isso é duro de aceitar, mas eu aceitei.
Parei de dar murro em ponta de faca, de dizer que queria estar ali, que queria forçar o assunto, que ainda queria ocupar tanto espaço na sua vida. Tô aqui, viu? Como uma joia guardada pra quando você precisar. Torcendo por você. Obrigada por tudo! Eu te amo. Espero que me perdoe por não insistir em nós.
Drica Serra

domingo, 17 de julho de 2016

A depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza

Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas.
Existe uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos NÃO está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros.
É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.
Por isso, dado que a depressão e a ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo “relaxe”, “não é para tanto”, “comece a se mexer, a vida não é isso”, “você não tem razões para chorar”, “comece a amadurecer”, etc.
São comuns, não é verdade? De fato, é provável que em algum momento tenhamos sido vítimas ou até proferido este tipo de discurso. Por isso é fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece.
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Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional.
Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas.
Ou seja, devemos consultar um psicólogo que nos ajude e nos proporcionar estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão.
Seguindo com nosso exemplo, assim como deixamos de consumir a lactose quando descobrimos que somos intolerantes a ela, devemos “deixar de consumir”aqueles pensamentos e circunstâncias que infeccionam nossa ferida emocional.
Não valem curativos ou vendas: devemos limpá-las e curá-las verdadeiramente.
Por isso, neste artigo pretendemos normalizar aquelas sensações das pessoas que possuem problemas emocionais deste tipo. Vejamos mais sobre eles para podermos compreender e nos conscientizar…

A ansiedade, uma viagem nefasta em uma montanha russa

As sensações que nos invadem com a ansiedade são muito similares às que surgem em um passeio de montanha russa em que começamos a nos sentir mal.
Coloquemo-nos nesta situação. Fomos passar o dia em um parque de diversões no qual encontramos uma montanha russa incrível e decidimos andar nela. Para fazer isso, temos que esperar em uma longa fila até que chegue a nossa vez.
O dia é quente e o sol está batendo forte em nossa cabeça, o que nos causa uma grande dor e mal-estar físico. Sentimo-nos cansados e não temos vontade de subir no vagão, mas fazemos isso, porque afinal estamos ali para aproveitar.
Uma vez sentados, nosso coração começa a bater forte, tudo dá voltas ao nosso redor, os vagões giram 360 graus várias vezes, nos submergimos em túneis escuros e tudo parece nos atacar.
Nossa respiração se acelera e nosso coração não pode parar. Sentimos que de um momento ao outro vai acontecer alguma coisa conosco. Nossas sensações estão bagunçadas, algo nos aprisiona no peito, ficamos imóveis e sem capacidade de reação.
Não podemos evitar pensar em coisas negativas. Gritamos, choramos e nos queixamos, mas ninguém nos ouve, nem sequer nós mesmos. Pedimos desesperadamente que tudo aquilo pare, e sentimos que estamos morrendo na tentativa.
No entanto, não conseguimos fazer com que nosso vagão freie, pois ele só parará quando acabarem os minutos programados para a viagem.
Neste sentido, um ataque de ansiedade é igual a uma viagem que nos faz mal em uma montanha russa. Em um dado momento tudo vai acabar, mas não sabemos quando nem como, por isso manter o controle diante desta incerteza é algo tão difícil de fazer.
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A depressão, a escuridão da alma

Quem sofre de depressão sente que o mundo está envolto em névoa. Pouco a pouco vai perdendo a ilusão por tudo que o rodeia, não há nada que anime ou motive, é difícil estudar ou ir ao trabalho, e a pessoa se sente imensamente triste ou irritável.
A depressão é a gota que faz transbordar o copo, um copo que está cheio de situações e circunstâncias complicadas que nos fizeram mal e mexeram conosco negativamente.
Por isso é importante que, quando nos dermos conta de que algo vai mal, consultemos um profissional que nos ajude e dê coerência emocional ao que está acontecendo conosco.
Ter problemas emocionais não é uma escolha. Uma pessoa com depressão não diz ‘Quero me sentir mal e me coloco em um poço de tristeza para ver se me afogo com ela’. Isso não funciona assim. Na verdade, isso pode acontecer com qualquer um de nós.

Ninguém está livre das garras da depressão e da ansiedade

A depressão e a ansiedade não são sinais de fraqueza, mas sim de força. Estes problemas emocionais não aparecem da noite para o dia, mas surgem pouco a pouco por causa das dificuldades e do esgotamento emocional.
Elas também não são consequência de uma escolha pessoal. Não podemos dizer se queremos ou não queremos que nos acompanhem. Ambos os problemas emocionais são derivados da luta contra as dificuldades da vida que nos acompanham e, portanto, por termos tentados permanecer fortes por tempo demais.
Não podemos nos esquecer disso, pois ninguém está livre de se relacionar com a ansiedade e a depressão em algum momento da sua vida, seja de maneira direta ou indireta.
Prestemos atenção, compreendamos estes problemas e, sobretudo, não julguemos nem a nós nem aos outros…
Fonte: Melhor com saude.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A Diferença Entre Querer Morrer e Querer Que a Dor Pare


Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.
Eu precisava disso para cessar a dor.
Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida quotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.
Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o  provérbio sobre colocar mais lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.
E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.
Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.
Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação. Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.
Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou a ambulância. Levou-me para o hospital.
Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixá-los.
Eu não podia ver o amor.
Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.
No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com o minha. Ouvi histórias familiares. Eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, porém, vi que não estava sozinha.
Eu tenho ajuda.
Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso. Isso não aconteceu da noite para o dia. Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo para a escuridão poderia ser encontrado.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
E ela parou.
Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.
Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.
Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, neste exato momento no tempo. Esta é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinha. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando. Ouça! Lá está, no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia sua pele, no canto de um pássaro, a maravilha de folhas e flores. A mensagem está lá para ouvir. A Terra está implorando para você não desistir.
Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.
Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.
Estou feliz por estar aqui hoje.
A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos rirem e chorarem e lutar e crescer. Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.
Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar minha vida.
As vezes a vida ainda é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar este mundo (e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho um boa noite de sono. Um novo dia amanhece. Eu me sinto melhor.
Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.

Você também não tem que querer. 

Texto original: The Difference Between Wanting to Die and Wanting the Pain to Stop / By Jennifer Wilson