Eu sei que quando vivemos um longo (ou até curto) relacionamento com uma pessoa, esse relacionamento pode nos moldar à sua
forma. Seria hipocrisia da minha parte dizer que não. Vocês tem uma
rotina: se encontram na academia, tomam um suco na lanchonete da
esquina, e depois assistem a novela espremidos no sofá da sua mãe. E se
de repente essa rotina lhe é tomada? Como reagir? Calma. Eu vou te
ajudar.
Hoje
tenho 24 anos e muita experiência pra contar, mas eu já fui uma
menininha imatura (ainda sou as vezes, confesso) que bate o pé quando
algo não dá certo. Como por exemplo da primeira vez que tomei um pé na
bunda. Como assim? Ele me deu um pé na bunda? Por que? O que eu fiz? As
respostas eram vagas. "Você não fez nada", "Você é a melhor namorada que
eu já tive", "O problema não é você, sou eu''. É ÓBVIO que o problema é
você, disso nunca tive dúvidas. Eu respondo todas suas mensagens na
hora, aturo os seus amigos chatos, finjo que gosto das músicas horríveis
que você coloca no carro, e até sou simpática com aquela sua prima meio
vaca. Eu sou uma namorada ótima. De verdade. Mas e a rejeição? O que a
gente faz com ela? Ela machuca, fere a alma, nos mostra que mesmo se nós
nos esforçamos muito, pode ser que isso ainda não seja o suficiente. E é
ai que achamos que mudar o status de relacionamento deve mudar também a
nossa vida.
Se
eu era assim, e assado, e mesmo assim não fui valorizada (o), então eu
vou fazer diferente. Vou cortar o cabelo, usar roupas diferentes, ir
para lugares diferentes, e exagerar a dose. O problema está todo aí.
Digo, em exagerar a dose. Que seja da bebida, ou da sua rebeldia
repentina. Tudo que é demais não é legal, não faz bem. Quando terminamos
um relacionamento o coração pede paz, pede uns dias para bater
fraquinho no canto do quarto. Não dar tempo para o seu coração descansar
é forçar ele a bater forte quando ele nem mesmo consegue bater.
E
não vamos ceder ao machismo: "Mulher bebendo e caindo na balada é muito
feio", "Nossa, aquela tal terminou e agora só faz vergonha por aí…
Sempre pagando mico". Tem coisas que são feias independentes do gênero
ou da opção sexual da pessoa. Querer mostrar que está bem quando não se
está, eis uma das coisas que salta aos olhos de todos, é impossível não
notar uma "felicidade forçada".
Sabe o
caso que contei ali em cima, do garoto que me deu um pé na bunda?
Então. Logo depois que terminamos ele gostava de mostrar felicidade
sempre que me via. Se eu chegasse num lugar e o avistasse de longe, ele
estava normal. Meio carrancudo, nada muito feliz. Quando ele me via?
Meus amigos… Ele abraçava todos ao redor dele, estourava champagne, ria
de piadas que provavelmente nem eram contadas, e me olhava esperando uma
reação minha. Eu pensava, ok, não estou achando graça de nada por aqui,
não tenho champagne pra estourar, muito menos milhares de amigos pra
abraçar… Vou é sair de perto. E saía. Eu não entendia o porquê dele
querer mostrar que estava tão bem e feliz, já que 1) ele que havia
terminado 2) a humilhada era euzinha 3) e eu não estava fazendo a mínima
questão de mostrar que estava bem, porque eu não estava 4) e não estar
bem depois de terminar um relacionamento é normal.
É isso que eu quero que vocês entendam. Você pode ficar triste. Você pode chorar. Você pode sentir saudades. Você pode
ser a única parte do relacionamento que queria que ele ainda existisse.
Qual o problema? Isso não te faz menos do que ninguém, isso te faz
humana (o). Bater no peito e negar suas dores é se assumir ser algo que
você não é. Um robô, sem sentimentos, sem lágrimas, sem cicatrizes. Nós
somos pessoas de carne e osso, choramos quando algo não dá certo, as
vezes até em novelas, então por que fingir ao mundo estar feliz mesmo
após dar um adeus para alguém que você amava?
Você
não precisa mudar da água para o vinho após terminar um relacionamento.
Você também não precisa responder com um sorriso amarelo toda vez que
te perguntarem se você está bem. Muito menos ir na balada todo fim de
semana só para mostrar que agora é solteira e ninguém vai te
segurar. Vai, pode sentir. Se quiser te dou também um abraço. Um dia a
gente supera, é claro que supera. Mas enquanto isso não acontece, será
que podemos sentir?
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